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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sem inspiração, mas...

Estava navegando, a pensar no que postaria hoje.

Pensei em não publicar nenhum post, pois estou num daqueles dias de pouca inspiração. Mas achei que seria legal compartilhar com vocês o site Foto Favela.

Arlindo Machado dizia que não podemos atribuir à fotografia o real de uma situação, pois ela captura apenas um momento. No entanto, ao ver as fotos desse site, percebo uma relação tão próxima com a periferia...tanto sentimento nas fotos...

Vale a pena conferir.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Da periferia para a mídia


Fico super feliz quando vejo na TV o rap da educação. Toda hora que passa a propaganda, comento com quem está ao meu lado: "eu conheci esses meninos! São do Ceccaes!"

E eu me sinto orgulhosa porque é bom ver como a cultura pode mudar uma realidade. Meninos que provavelmente não teriam a força de vontade para vencer as barreiras que a pobreza impõe, acabam por acreditar nos sonhos por meio do acesso à cultura.

Como alguém um dia disse: é tudo uma questão de oportunidade!

O tempo que passei pesquisando a região de São Pedro foi muito gratificante pra mim, pois me ensinou a ver a periferia de uma outra forma, sob uma nova ótica. A visão que eu tinha antes dessas áreas de risco social era exatamente a que nos mostram a maioria dos filmes brasileiros. Contudo, o envolvimento com a cultura me mostrou que a periferia pode ser muito mais do que diz a produção cinematográfica brasileira.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O orkut na periferia

Estou impressionada como sites de relacionamentos como o Orkut tem ampla difusão e utilização também na periferia. Geralmente, pensamos que moradores em regiões de risco social, em que a maioria não possui computador em casa, não utilizam com frequência a internet para se comunicar, tendo em vista que - pressupunha eu - não seria um meio de comunicação eficiente nesses locais. No entanto, ao pesquisar a comunidade da Grande Terra Vermelha pude ver que existem várias, inclusive uma com 662 membros. E ao entrar na comunidade para pesquisar membros participantes do circuito do hip hop encontrei várias pessoas, entrei em contato com elas e obtive resposta em menos de 24 horas de quase todas.

Descobri ainda, no decorrer da minha pesquisa de campo, que não apenas o Orkut, como também os blogs são utilizados por grupos culturais como forma de divulgação e também de comunicação. E a população acessa. Isso é o interessante. Além disso, transcende o âmbito comunitário na medida em que possibilita o acesso e a participação a esses grupos a pessoas como eu, que não pertence àquele meio social.


domingo, 19 de outubro de 2008

O que é ser profissional na periferia?

A maioria dos oficineiros do Programa Escola Aberta ou pessoas que trabalham com manifestações culturais nas periferias não estudaram para exercer determinada atividade nem tem o diploma como profissional daquela prática. No entanto, consideram-se profissionais. Para a lei, você é profissional a partir do momento que é qualificado com um diploma para determinada atividade. No entanto, essa determinação não se aplica à periferia. Para atuar como professor nas regiões carentes não é fundamental ter um diploma, mas sim competência. E competência significa em qualquer âmbito da sociedade executar com eficiência o que se dispôs a fazer. E, conforme os resultados, não só os próprios oficineiros se consideram profissionais, mas também a comunidade.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Uma válvula de escape

A dança na periferia, a capoeira, por exemplo, é extremamente difundida e valorizada pela comunidade. Para os produtores dessa cultura, a dança funciona como uma válvula de escape à discrimação, à violência e ao descaso político.
No mini documentário a seguir, veja como a dança é valorizada pela periferia.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cultura x Violência

Uma das coisas que fica latente sempre que converso com as pessoas envolvidas com movimentos culturais em regiões de periferia é que a a sua principal motivação para o envolvimento com esse tipo de política é: Tirar o menino da rua.
E esse discurso, presente em quase 100% das falas, incomoda-me um pouco. Isso porque, para mim, a principal motivação para desenvolver políticas culturais deveria ser o resgate da cultura local, ampliar o horizonte das crianças, a visão de mundo da comunidade e até mesmo para entrenimento. No entanto, envolver-se com cultura acaba por ser uma medida de concorrência à violência. Embora essa alternativa tenha dado resultados muito bons na medida em que muitas crianças acabam por descobrir talentos que a eles eram antes ocultos, Tirar o menino da rua deveria ser mesmo a principal motivação para produzir cultura?